Uma proposta e nada mais - Mary Balogh | Resenha

Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor.Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.
Romance de época | 272 páginas | Editora Arqueiro 

Hugo Emes é um sobrevivente de guerra que todo ano vai a Penderris Hall, a casa de campo do duque de Stanbrook, se reunir com mais cinco ex-oficias militares feridos juntamente com a viúva de um deles, formando assim O Clube dos Sobreviventes. Lá eles passam três semanas em conjunto já que um laço forte fora criado entre os seis, cada um carregando sua própria marca de sofrimento.

Apesar de ser filho de negociantes, Hugo acabou ganhando um título como recompensa de seus feitos na batalha. Agora ele virou lorde Trentham, além de ter herdado a vasta riqueza do pai que falecera no último ano. Seu pai sempre quis que Hugo seguisse seus caminhos no negócio da família, mas como isso não aconteceu, ele esperava que ao menos sua fortuna fosse passada para um futuro neto, deixando também para Hugo a responsabilidade de cuidar de sua meia-irmã Constance, e sua madrasta Fiona. 
Para honrar a promessa que fez ao pai em seu leito de morte, Hugo acaba por decidindo se casar. Mas como escolheria uma esposa se mal vai a eventos sociais ou sai de sua casa de campo? Por obra do destino, enquanto ele caminha pela praia nas terras de Penderris Hall, acaba encontrando uma dama que acabou torcendo o pé ao escorregar em algumas pedras.

Gwendoline, lady Muir, é uma aristocrata da cabeça aos pés. Depois que perdeu seu falecido marido há sete anos, ela vive com a mãe em uma pequena cidade. Nunca lhe passou pela cabeça se casar novamente, afinal, sofrera muito com o primeiro casamento apesar de ter amado Vernom de todo coração. Ela só não sabia que encontraria Hugo Emes, um lorde que de lorde não tem nada, que acabaria por salvá-la de um acidente na praia.
Agora ela precisa ficar na casa do duque de Stanbrook para que possa se recuperar. Mas o humor sombrio de Hugo faz aflorar o pior em Gwen, e ambos vivem soltando farpas um ao outro. Ele a despreza por ela ser tudo aquilo que a nobreza representa, e ela o acha um brutamontes sem jeito. Apesar disso, o desejo entre eles é notável. Mas será que o mundo dos dois conseguirá absorver o impacto se um deles decidir adentrar o outro?

Uma proposta e nada mais é um livro maravilhoso, muito bem escrito e que faz aflorar mais uma vez meu amor pelos romances de época. Fazia anos que não lia nada da Mary e fiquei com muitas saudades de suas obras. Algo notável em sua narrativa é a seriedade ao escrever as cenas e falas, sem rodeios, direto ao ponto. Eu senti essa diferença com um baque já que o último livro que li da autora foi em 2016, mas ao longo da leitura consegui me habituar tão bem que ficou imperceptível a estranheza do início. 

Os personagens aqui também são igualmente maduros, talvez porque estejamos falando de duas pessoas crescidas, lá para seus 32 anos ou mais, então não temos flertes sem sentido ou inseguranças que estamos mais acostumados a ver nas outras obras. Gwen é uma personagem gentil, que cativa o leitor com sua graça e postura. Apesar de ser aristocrata ela não é arrogante, não tem aquele ar de afetação, e muito me lembrou lady Clara Fairfax, personagem de Romance entre Rendas da Loretta Chase. 

Por ter sofrido muito no primeiro casamento é condizente que a personagem não queira ou tenha pensado em se casar outra vez, mas a solidão fez o favor de bater em sua porta justamente no dia que sofre o acidente e acaba por conhecer Hugo. É a partir daí que esse romance se desenrola.

Hugo é aquele homem forte e grande por fora, taciturno e com uma carranca que assusta qualquer um, mas por dentro é fofo, gentil, amável e que só quer alimentar suas vacas e ovelhas em paz. Eu amei demais esse homem! Eu adoro quando tem esses personagens que não demonstram muito seus sentimentos e no final da história eles tão mais mole que pamonha doce.
A história tem muitos personagens, mas destaque para Constante, irmã de Hugo que é um amor de pessoa, e claro, a todos os outros integrantes do Clube dos Sobreviventes que terão suas próprias histórias contada nos demais livros.

A trama em si não possui um vilão. Na verdade a grande questão da obra é a diferença de classes sociais dos personagens e como isso afeta suas escolhas. Se eles deixassem de ser tão teimosos tenho certeza que o livro terminaria umas 100 páginas antes. Os diálogos são repletos de sarcasmo, apesar dele estar bem embutido nas falas dos personagens.

Uma proposta e nada mais foi uma leitura muito prazerosa e divertida. Fazia tempo que não lia romances de época e voltei com tudo. Imagino que o segundo livro seja tão bom quanto este, e não vejo a hora de lê-lo.

6 comments

  1. Oi, Aline
    Eu adoro o gênero mas é sempre bom dar uma aliviada de vez em quando, só que esse livro tem um q especial. Espero que leia algum dia!

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  2. Oi, Lu
    Eu sinto também essa falta, mas quando tem essa diferença chega a ser gritante na narrativa.

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  3. Oi, Leslie
    Pra quem lê muito romance vai perceber de longe a diferença de outras obras e isso é um ponto muito positivo.

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  4. Oi, Nessa
    A narrativa da Mary é bem diferente mesmo, muito mais madura, mas isso é bom porque traz um diferencial.

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  5. Oi, Mi
    Eu gosto dessa peculiaridade e diferença da autora, é sempre bom ler algo diferente dos demais romances. Não vejo a hora de ler o segundo!

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  6. Oi, Pri
    A Arqueiro sempre arrasa com as edições, mas confesso que essa capa não me agradou tanto não haha

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